segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Chegada do período chuvoso no Piauí preocupa alguns municípios



Governo já foi notificadoGoverno já foi notificado
A proximidade do período chuvoso traz ao homem do campo o sentimento de alegria, de farta colheita vindoura e de melhorias para as comunidades rurais. No entanto, para os moradores do entorno da Barragem Corredores, no povoado de mesmo nome em Campo Maior a chegada das chuvas tem trazido também preocupação.
É que há alguns anos tem-se encontrado falhas na estrutura da barragem, infiltrações e um risco moderado de rompimento. Este problema certamente lembra uma das maiores tragédias ocorrida no Estado, quando a barragem Algodões I rompeu em 2009 matando mais de 10 pessoas e causando um estrago irreparável às famílias, que perderam tudo o que tinham.
Embora o risco de romper seja, neste momento, insignificante, conforme declara a prefeitura de Campo Maior, o local já passa por estudos técnicos. Recentemente uma vistoria feita por alguns técnicos da prefeitura encontraram algumas fissuras e infiltrações na parede da barragem. Como medida o prefeito Paulo Martins solicitou ao governo do estado uma vistoria mais específica no local. O governo enviou dois técnicos e dois engenheiros do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), que confirmaram os problemas.
No início deste mês a prefeitura de Campo Maior informou ao 180graus que o governo do estado contratou um técnico de Pernambuco para uma segunda análise, esta mais criteriosa.

Prefeito Paulo Martins visita a barragem
“Ele vai fazer uma espécie de ultra-som, um raio-x das paredes da barragem para identificar exatamente o graus de fissuras existente e quais os riscos de rompimento. No entanto, a prefeitura aguarda pela chegada deste profissional”, informa a assessoria da prefeitura.
TRAGÉDIA DE ALGODÕES
Em maio último completou dois anos que a cidade de Cocal, localizada a cerca de 268 km de Teresina, no norte do Estado, foi abada com a maior tragédia no Piauí. Um rombo de 50 metros na barragem Algodões I rompeu por volta das 16h do dia 27 de maio de 2009, liberando as águas represadas do Rio Piranji, alagando a cidade. O rompimento ocorreu após 48h de chuvas na região.
A SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS HOJE
As famílias vítimas da tragédia ganharam na justiça o direito de receber uma pensão até que saia a indenização de seus prejuízos, mas foi suspensa pelo Governo do Estado e quando foi restabelecida, os aposentados e os beneficiários do Bolsa Família perderam o benefício da pensão, um direito de todas as pessoas atingidas.
As vítimas reclamam a construção de casas sem considerar as necessidades, a tradição agropastoril das famílias atingidas, além de estarem sem trabalho, não podem criar seus animais (aves, suínos, ovinos e caprinos), não podem produzir seus alimentos e, por isso, encontram-se numa situação de miséria. As famílias criticam ainda a falta de estrutura dos assentamentos agrícolas construídos para abrigar as vítimas e a falta de atenção às pessoas que perderam parentes, pois elas não receberam nenhuma atenção especial do Estado.

NOVOS RISCOS DE ROMPIMENTO NO ESTADO
As promotoras Áurea Emília Madruga e Denise Costa Aguiar ingressaram com ação civil pública solicitando o imediato reparo na barragem de Poços, em Itaueira, que está com risco de rompimento, sobretudo, com o início das chuvas.
Elas informaram que desde maio deste ano o Idepi e a Semar foram informados dos riscos, mas ainda não solucionaram o caso. A ação civil recomenda que o Governo estadual seja obrigado a apresentar plano de ação emergencial na barragem de Poços no prazo de 15 dias. A informação foi repassada pela assessoria do Ministério Público.

Audiência no Ministério público discute o assunto
CUIDADOS
As barragens Pedra Redonda, em Conceição do Canindé; e Poços, em Itaueira, foram consideradas com nível alto de risco; a Petrônio Portella, em São Raimundo Nonato; Cajazeiras, em Pio IX; Salinas, em São Francisco do Piauí; Joana, em Pedro II; Algodões II, em Curimatá; Piaus, em São Julião; Jenipapo, em São João do Piauí; Caldeirão, em Piripiri; Barreiras, em Fronteiras; Bocaina, em Bocaina; e Piracuruca, em Piracuruca; foram classificadas com nível médio. Segundo os técnicos, todas estas devem obrigatoriamente passar por uma manutenção até o final do segundo semestre de 2011.

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